Contra o desrespeito ao consumidor

Posted on dezembro 8, 2010

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Às meninas que lêem esse humilde blog de scrap me desculpem, mas hoje o assunto é outro.

A grande paixão da minha vida é a música. Canto mal pacas, não sei tocar nenhum instrumento mas é só tocar uma música que o pé já fica batendo no ritmo e o lá-lá-lá é quase instantâneo. Tenho um gosto musical totalmente eclético e meu Ipod é digno de susto pros mais desavisados.

Mas todo mundo tem as suas bandas e cantores prediletos. Na minha lista o U2 é top3 fácil.

Ouço U2 desde que me entendo por gente. Ia pra casa da minha tia e meu primo lá ouvindo Boy na vitrola.Memórias de infância não se apagam de uma hora pra outra.

Em 1998, quando a banda veio ao Brasil pela 1ª vez, só de cogitar em ir minha mãe soltou um não. Entendo o lado dela, eu tinha 18 anos e minha mãe não ia deixar a filhinha dela sozinha naquela multidão (ser filha única é osso!!!).

Em 2006, já mais velha, a desorganização me impediu de ir ao show. A venda de ingressos no Pão de Açúcar foi uma bagunça só e naquela fase da minha vida não estava podendo me dar ao luxo de esquentar a cabeça com muita coisa… achei melhor desistir e esperar a próxima oportunidade.

Desde que os boatos de um show no Brasil em 2011 começaram eu tenho procurado as notícias. Quando cnfirmaram o show pro dia 09 de abril quase tive um colapso: ia ser o meu presente de aniversário (faço aniversário dia 11 de abril). Eu que adoro festa, bolo e bagunça abri mão de tudo isso em troca dos ingressos pro show.  Pai me deu o dinheiro e eu fiquei só esperando o início das vendas.

Dia 1º de dezembro abriram a pré venda para o pessoal do fã clube oficial. Fãs que pagam 50 dólares anuais para ter algumas regalias – até porque, convenhamos, pra pagar isso o cara é FÃ mesmo da banda. Nada mais justo. Foi onde começou a confusão: o site Tickets 4 Fun não aguentou o número de acessos e caiu. Não se sabia a quantidade de ingressos disponível e logo o site informava que não havia mais ingressos disponíveis para aquela promoção. Ou seja, várias pessoas, mesmo com senha, não conseguiram comprar os ingressos.

Dia 4 começava a pré venda para quem tem cartões Credicard e Diners. Nunca entendi esse privilégio para quem tem esses cartões, mas praticamente todos os shows internacionais no Brasil são assim… Conversei com a minha amiga Carol Otani que também queria ir ao show e tem Credicard e perguntei se ela poderia fazer o favor de comprar o meu ingresso e o do meu namorado no cartão dela. Ela disse que sim e no dia seguinte eu dei R$200,00 na mão dela, valor suficiente para cobrir as nossas duas meia-entradas de pista (R$90,00).

Carol tentou entrar no site à meia-noite do dia 4 e não conseguiu, o sistema havia caído devido número de acessos. Passou amdrugada e tentanto e nada. Sábado à tarde foi a minha vez: fiquei cerca de 4 horas na frente do computador e nada. Uma hora não havia mais ingressos para pista; dali a pouco surgiram novos ingressos, mas ao tentar comprar a única mensagem que aparecia era que o limite de ingressos para a promoção havia se esgotado.

Foi quando descobri que haveria uma pré venda para os fãs do Muse, a banda de abertura do show.  Seria na segunda, das 9 às 17. Liguei para a Carol e combinamos a estratégia: as duas no computador e entrando em contato pelo MSN. Não sou fã do Muse, conheço apenas uma música, mas pra ver o U2 o Muse passaria a ser minha banda predileta.

Estava com a página da T4F aberta desde as 8:30 da manhã. A senha estava lá no site do Muse para quem quisesse ver. A página só entrou no ar às 9:05. Acabei com o F5 no teclado e nada. Lá pelas 10 da manhã a Carol me manda uma mensagem desesperada no MSN pedindo meusdados – ela tinha conseguido entradas inteiras pra pista.  Respirei fundo, mandei tudo e cinco minutos depois ela recebia o email de confirmação. EBA!!! Eu vou no show do U2!!!!

Mas a Carol não vai. Porque a entrada inteira ficava muito pesada pra Carol pagar. Veja bem: quando você compra o ingresso pela internet, além do valor do ingresso você paga uma tal de “taxa de conveniência” de 20% sobre o valor do ingresso. 20%!!!!!!!!! E ainda tinha a taxa de entrega, que era de R$8,00. Só tem um pequeno contrassenso nessa taxa de entrega: a T4F não vai entregar o ingresso na minha casa; eu vou retirar o ingresso na bilheteria do Morumbi. Então eu paguei 8 reais pra que eu mesma fosse ao Morumbi e pegasse o meu ingresso.

Só depois nós descobrimos que na pré venda dos fã clubes não há meia entrada – ainda não entendi o motivo, uma vez que meia entrada é lei; mas as bandas são gringas então a discussão fica complicada.

Conta final: 2 entradas de pista inteira: R$360,00 (R$180,00 cada) + R$72,00 de “taxa de conveniência” + R$8,00 de taxa de “entrega”: R$440,00.

À meia noite do dia 07 seriam abertas as vendas para o público em geral no site – a compra física só a partir das 10 da manhã nos pontos de venda. Às 23:00 o site já estava congestionado. Ninguém sabia quantos ingressos seriam postos à venda, já que ninguém sabia quantos ingressos já haviam sido vendidos – nem qual a carga total de ingressos.

Mais uma vez o site da T4F não aguentou o número de acessos e caiu. Quando voltou, a mensagem na tela era a de que eles estavam atendendo 4.500 clientes por vez. E tome F5. Nada. Desisti por volta da uma e meia da manhã.

Às 4 da manhã o site entrou em pausa para a manutenção, mas a mensagem na tela avisava que não haviam mais ingressos disponíveis. Quando voltou às 5 a mensagem permanecia a mesma. Voltei pra cama.

Carol ficou sem ingresso e não vai pro show. Ela merece ir porque fez uma coisa que poucos fariam, que foi comprar os meus e não comprar o dela. Qualquer outra pessoa não teria comprado nenhum.

10 horas da manhã abriram os pontos de venda. Havia gente na fila desde a noite anterior no Credicard Hall, que era o ponto principal, onde não se paga taxa de conveniência. Sim, porque mesmo você indo ao shopping, gastando dinheiro com metrô, ônibus ou estacionamento você paga 20% de taxa de conveniência. Conveniência de quem, cara-pálida?

De volta à fila do Credicard Hall… Segundo os relatos o que se viu foi, mais uma vez, o pouco caso das empresas com o consumidor. Os seguranças do local deixavam cambistas furarem a fila, entrarem e levarem todos os ingressos. Quando os portões se abriram a notícia era a de que não haviam mais ingressos. Os relatos estão no orkut pra quem quiser ler.

O mesmo ocorreu nos shoppings de São Paulo onde havia pontos de venda.

Quem era de fora do eixo Rio-São Paulo só tinha a internet pra comprar.

E aí, #comofaz? Como uma empresa que se diz a 8ª maior do mundo no ramo de entretenimento é incapaz de garantir o acesso dos fãs aos ingressos de um show que, como se sabia, seriam disputadíssimos?

Por que não anunciaram desde o princípio que haveria uma segunda data se isso já era um fato segundo declarações de um diretor do São Paulo Futebol Clube?

Por que não havia pontos de venda em outros Estados?

Por que a T4F não foi transparente desde o início, informando a carga total de ingressos e o número de ingressos disponível para a venda em cada lote?

Por que os ingressos estão nas mãos das empresas de turismo e de cambistas, que estão vendendo ingressos no Mercado Livre e no Orkut a valores escorchantes como se isso fosse a coisa mais normal do mundo?

Por que o site chamado Apache Records está vendendo livremente pela internet meia entrada a quem não é estudante, professor ou idoso? E cobrando R$380,00 por um ingresso que custava R$90,00? E como uma empresa conseguiu se apropriar de ingressos de meia entrada enquanto tantos estudantes – entre eles eu e a Carol – não conseguiram?

Com a palavra a T4F.

 

 

 

 

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